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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Onfray, escrita e terapia

Ler autores que sentem raiva. A raiva alimenta a escrita. A raiva e seus raios. A raiz da raiva afunda e retira da alma o sumo, a soma. Michel Onfray (1959 - ) sente raiva, escreve com raiva, pensa com raiva. Raiva viva, seiva.

Depois da raiva é possível falar em serenidade. Depois de externar sua raiva contra coisas e pessoas, contra religião e sociedade, Onfray escreve:

"Sereno, sem ódio, ignorando o desprezo, longe de todo desejo de vingança, ileso de qualquer rancor, informado sobre a formidável potência das paixões tristes, não quero nada mais que a cultura e a expansão dessa 'potência de existir' — segundo a feliz fórmula de Espinosa encastoada como um diamante na sua Ética. Somente a arte codificada dessa 'potência de existir' cura das dores passadas, presentes e por vir." (A potência de existir, pela WMF Martins Fontes, 2010, pág. XL)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Leituras contra cegueira

Há várias categorias de cegueira. A dos olhos é apenas uma das mil e tantas que podem afligir o ser humano. As piores são as não percebidas por seus portadores. O pior cego é o que não quer ouvir. Ou o pior cego é o que afirma enxergar melhor do que todos.

Abrir as páginas de um livro pode ajudar a abrir os olhos da mente, ou da memória, ou do coração, ou da imaginação, ou do estômago...

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) associava (quem me conta é Michel Onfray, em seu O ventre dos filósofos, publicado pela Rocco em 1990) a alimentação ao comportamento. Dizia que comer muitas verduras torna os homens efeminados e que os grandes comedores de carne são grosseiros. Uma teoria insana. Em compensação, devemos a Rousseau o elogio ao leite materno, alimento natural por excelência.

Nós somos aquilo que comemos tal como somos aquilo que lemos?