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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um pouco mais de Erasmo

No final da vida, com seus 70 anos bem lidos, Erasmo de Rotterdam ficava repassando as cartas que recebera dos amigos, muitos deles mortos, e às vezes em circunstâncias violentas, como aconteceu com Thomas Morus (1478-1535).

Ler uma carta antiga pode ser boa terapia, repensar o passado, revisitar lugares, reconversar. Mistura de nostalgia e saudade (não são a mesma coisa!), e a chance de recompor o todo da vida — analisar e sintetizar a existência.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mais Erasmo

Ler Erasmo e sobre Erasmo. O de Rotterdam. O que amava os livros. O escritor atento. Um tanto elitista. Avesso a conflitos. Harmonizador. Homem do limite. Entre a decadência do final da Idade Média e a impaciência do início do Renascimento. Como faz ver Stefan Zweig, um humanista que fracassou e triunfou.

Seu fracasso é terapêutico. Aprendemos que é impossível vencer com palavras a violência, a estultícia, o fanatismo. Erasmo perdeu o jogo. Sua liderança intelectual e espiritual foi substituída pela intolerância de Roma e pela intolerância de Lutero. Aprendamos com ele a perder o jogo.

Mas também é terapêutico o seu triunfo. Ao longo de 5 séculos, seus livros continuam vivos. Em especial o Elogio da loucura. Lá, Erasmo confronta nominalistas, tomistas, albertistas, ockamistas, escotistas... e o faz com a voz da loucura, uma forma inteligente de entender as sutilezas da estupidez humana, da nossa estupidez.

sábado, 1 de maio de 2010

Erasmo sem nenhum marasmo

Terapêutico é encontrar um autor com o qual nos identifiquemos, tanto no que diz respeito aos seus textos como no que se sabe de sua vida. Tenho antiga identificação com Erasmo de Rotterdam (1466-1536).

O meu livro Elogio da leitura é uma homenagem (um plágio criativo) ao seu Elogio da loucura. Sinto-me atraído por sua maneira tolerante de ser em meio às tensões intelectuais da época. Imagino ter um pouco do seu espírito. E algumas coincidências são interessantes. Ele foi revisor e tradutor. Eu também. Ele vivia a religião do livro. Eu também. Ele era professor para sobreviver. Eu também.

Erasmo nasceu em 1466, às vésperas de um 1500 cheio de fantásticas e terríveis mudanças; eu nasci em 1962, às vésperas de um 2000 igualmente fantástico e terrível. (Morrerei, então, em 2032, quando tiver os mesmos 70 anos de idade com que partiu desta vida o humanista Erasmo?)

Estou lendo Erasmo de Rotterdam: triunfo e tragédia de um humanista, de Stefan Zweig. Conta-nos Zweig que seu biografado era um ardente e fiel amante dos livros, entre outras razões porque eles não são barulhentos ou violentos.

De fato, a terapia literária é silenciosa. O silêncio livral (que nos livra de tantas prisões) acaba com nossos tédios e marasmos. Silêncio repleto de palavras...