sábado, 19 de dezembro de 2009

Efeitos de uma cirurgia

A boa cirurgia faz com que a pessoa submetida a uma intervenção desse tipo experimente mudanças para melhor. Uma cirurgia bem-sucedida pode fazer alguém voltar a andar, a ver, a viver...

A leitura cirúrgica faz com que a pessoa diga, com estas ou outras palavras: "este livro mudou a minha vida"... "este conto foi importante porque me fez repensar minha atitude perante a vida"... "aquele poema foi decisivo para eu compreender certas coisas"...

É claro que estas declarações têm forte componente subjetivo. E não poderia ser diferente. Uma leitura decisiva para um pode não dizer nada para outro. Uma pessoa dirá que, por exemplo, O diário de Anne Frank mudou sua maneira de ver o mundo. Outra, que abandonou esse livro na terceira página.

Eu tinha uns 16 anos quando li A revolução dos bichos, de George Orwell. Foi uma cirurgia que abriu meus olhos para a realidade política, para os perigos da demagogia, para os bastidores de pretensas revoluções, para os perigos da manipulação linguística. Mais tarde, precisei de outras leituras cirúrgicas, mas esta foi a primeira, e inesquecível.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dimensão cirúrgica da leitura

Conforme postagem do dia 2 de dezembro, iríamos conversar sobre as três dimensões da leitura neste início de reflexão sobre a terapia literária. As dimensões profilática, medicativa e cirúrgica. Sobre as duas primeiras já fiz algumas considerações. Agora é o momento da dimensão cirúrgica.

Há cirurgias de urgência. Há cirurgias arriscadas. Outras, de rotina. Há cirurgias demoradas. Outras, rápidas. A etimologia ensina que a cirurgia é um trabalho manual. Do grego kheirourgía, "ação de trabalhar com a mão". Está aí, na formação da palavra, a raiz grega kheír, também presente na palavra "quiromancia", a arte de adivinhar pela leitura das linhas e sinais da mão.

Que mãos literárias poderão realizar intervenções cirúrgicas em nós? Tomo um livro, mas é um livro que me toma. As mãos do escritor ou da escritora trabalharam no livro. O livro agora é bisturi. No livro recebo a anestesia estética. "Durmo" enquanto leio, e enquanto leio, as palavras atuam dentro de mim. Mexem em mim. Cortam, costuram.

E que tipo de problemas merecem essa intervenção radical? E quantas horas durará a cirurgia? Quantos dias, talvez? O que caracteriza a leitura cirúrgica? Que cirurgiões literários já atuaram em mim? Em você?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Remédio para saudade

A saudade é uma dor causada pela solidão. Etimologicamente, "saudade" remete à soledade de quem viu seu amor partir — e "partir" pode ser ir embora ou quebrar-se...

Para saudade, algum remédio literário? Há uma quadra popular que talvez ajude. Leia duas vezes ao dia até decorar (isto é, até que se torne linguagem do coração, par coeur, by heart):

Saudade, ainda que doa
Tu és nesta vida fugaz
A única coisa boa
De todas as coisas más

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A poesia cura

Recolho no ar palavras do poeta argentino Juan Gelman (1930-):

"Aí está a poesia: de pé, contra a morte. A poesia tem o poder de derrubar os muros das próprias palavras. E mesclar neste plano poético coisas que, na vida, parecem água e azeite."

É terapêutico, penso eu, ver água e azeite misturados, misturar alegria e morte, terror e humor, fantasia e realismo, medo e coragem. E beber essa mistura todos os dias, homeopaticamente.

Todos os dias. Não passar um dia sem ler ao menos um verso. Poesia cura. Cura-nos, sobretudo, do prosaísmo. Essa maneira prosaica de viver, em que o principal critério é o "custo-benefício".

Poesia é "perda" de tempo, pensam os prosaicos. É dessa "perda" que necessitamos, para recuperar o "impossível necessário"...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Remédio contra a loucura

Vários ex-prisioneiros, em seus relatos, atribuem à literatura não terem enlouquecido durante o confinamento físico. O norte-americano Sidney Rittenberg (1921-) é um deles. Viveu 35 anos na China, boa parte desse período (16 anos) preso numa solitária, sob acusação (falsa) de ser espião:

"Na solitária, consegui manter a saúde mental recitando poemas, lembrando de histórias, atuando performances cômicas. A literatura defendeu minha sanidade." (Folha de S.Paulo, 26/10/2009)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Dr. William Osler

Um desconcertante aforismo do Dr. William Osler (1849-1919), canadense, pai da medicina ocidental moderna: "Um dos primeiros deveres do médico é ensinar às massas não tomarem remédio."

Dr. Osler preocupava-se com a "educação continuada" do médico num tempo em que esse conceito não estava em voga. Defendia a necessidade de os estudantes dedicarem tempo, não só para o aprofundamento em sua especialidade, mas também na aquisição de cultura espiritual, emancipando-se intelectualmente e aprendendo a refletir com autoconfiança.

Em seu famoso discurso A way of life, de 1913, citando Aristóteles, Goethe, Carlyle, Descartes, Voltaire, e a Bíblia, recomendava aos jovens que não passassem um só dia sem folhearem algo da melhor literatura mundial, e que cada um fosse o seu próprio daysman, o seu próprio árbitro, em busca do aprimoramento pessoal. Cultivava uma postura filosófica e humanista perante a vida e a medicina.

Aquele aforismo revela essa postura. E pressupõe a adesão, mais ou menos consciente, a uma determinada teoria educacional. O médico atua como professor das massas, encorajando-as a repensar o próprio papel do médico. O paciente vem em busca de medicamentos. Um dos deveres do médico é ensinar-lhe que tomar remédios não é o mais importante. Este ensinamento frustra o paciente, subverte sua maneira habitual de avaliar a medicina.

No entanto, se um dos primeiros deveres do médico, ou o primeiro dever, é curar o doente, curá-lo significa também esclarecê-lo sobre a verdadeira função dos remédios. Ou, indo mais longe, fazer-lhe descobrir novos remédios. A leitura, por que não?

sábado, 12 de dezembro de 2009

Remédios literários

Se faz sentido falar em "remédios literários", para que servirão exatamente? Serão substâncias para combater as dores da vida, as doenças oportunistas, aplacar sofrimentos morais? Serão recursos para atenuar os males da vida, eliminar achaques, contornar transtornos?

E quem saberia dizer, para si e para os outros, se tal livro seria adequado ou não para determinado problema? Haverá receitas?

As livrarias são farmácias. A web pode ajudar também. Num caso ou no outro, o bom mesmo é tomar o remédio com as duas mãos!

(Franco Matticchio, desenhista italiano)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Diálogo em silêncio

A leitura medicativa, entre vários benefícios, tem o de nos fazer entrar em diálogo, ainda que sozinhos. A solidão (e, pior, o medo da solidão), ou mesmo, em sentido oposto, a carência por uma solidão qualificada podem encontrar na leitura remédio extraordinário.

A função terapêutica da leitura dialogada. E, também, uma terapia do diálogo, porque muitas vezes a solidão pode ter nascido de uma ojeriza aos diálogos destrutivos, ou aos diálogos anódinos e inócuos, não menos nocivos. A leitura em diálogo nos faz acreditar de novo na palavra (lógos) inteligente, criadora.

A solidão é um bem, se for povoada por pensamentos, imagens, "estalos", que depois transbordarão em comunicação viva e atraente. Qualificamos os momentos ou as horas de solidão, para conversar melhor, e conviver mais humanamente.

Mas leitura dialogada requer empenho, coragem, fôlego, conforme José Ortega y Gasset (1883-1955):

"À leitura deslizante ou horizontal, um simples patinar mental, é preciso substituir pela leitura vertical, a imersão no pequeno abismo que é cada palavra, fértil mergulho sem escafandro."

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Leitura das entrelinhas

Mario Quintana (1906-1994), em seu Da preguiça como método de trabalho, escreveu:

"Marcel Proust não tem entrelinhas, explica tudo, sufoca o leitor, não o deixa respirar, não o deixa pensar."
Logo, por oposição, temos aqui algumas características da leitura das entrelinhas: (1) não explica tudo, (2) abre espaços e (3) provoca o pensamento.

Respirar bem faz bem. Respirar o texto. Respirar no texto. Profundamente. Respirar literariamente cura-nos de várias doenças: tédio, obsessões cansativas, desconfianças infundadas (ou mesmo fundadas), medos de várias cores e texturas. No texto, quanto mais amplas as entrelinhas, mais oxigênio para a mente leitora. É um bom exercício não entender tudo. E, não entendendo, ter de inventar/descobrir nexos. Ter de respirar por conta própria.

Outro gaúcho, Fabrício Carpinejar (1972-), assinou "Casa" para o livro Dicionário amoroso da língua portuguesa (Casa da Palavra, 2009), organizado por Marcelo Moutinho e Jorge Reis-Sá. Um trecho, para nos inspirar:

"Uma casa põe chapéu para não perder mais o guarda-chuva. Uma casa não pode permanecer arrumada, como se estivesse à venda. Uma casa depende de alguma desordem, um atalho, um alçapão para conservar vinhos.

"Uma casa precisa ser estranha por fora e íntima por dentro. Uma casa tem que ter espaço para cuspir neblina, e telhas para derreter queijo na chapa. Uma casa tem que mostrar infiltrações de vez em quando, sofrer gripe, chorar pelas paredes.

"Uma casa coleciona moedas raras com o barulho das calhas. Uma casa sem lagartixas não é ainda uma casa. Uma casa sem baratas é um berço. Uma casa tem que apresentar uma saída pelos fundos, mesmo que seja a janela.

"Uma casa tem que pedir esmolas aos prédios vizinhos. Emprestar sede para a praça." (págs. 24-5)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Da leitura medicativa

Vimos até agora alguns aspectos da leitura como profilaxia. Agora, a dimensão medicativa.

Em seu livro O olhar médico: crônicas de medicina e saúde (Editora Ágora, 2005), Moacyr Scliar escreve sobre literatura como tratamento:

"Literatura serve para muitas coisas. Serve para informar, serve para divertir — e serve também para curar ou, ao menos, para minorar o sofrimento das pessoas." (pág. 153)

"A proliferação das obras de auto-ajuda mostra que as pessoas continuam acreditando em livros como guias para a saúde e para a cura." (pág. 154)

"Toda pessoa se beneficiará do ato de ler e de escrever. É terapia, sim, e é terapia prazerosa, acessível a todos. O que, em nosso tempo, não é pouca coisa." (pág. 155)

É preciso, porém, desenvolver uma alfabetização para as entrelinhas (já dizia Guimarães Rosa), a fim de saber escolher os melhores livros para tais e tais ocasiões, e ler esses livros com proveito máximo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Poesia terapia

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) dizia que seu divã era a poesia. Poesia como terapia. As rimas, quando há, mostram que coincidências (sonoras) não são meras coincidências, fruto absurdo do acaso. Existe uma ressonância com sentido. Consentida. Sentida.

Apoio fonético recorrente que mexe com a gente, positivamente. Dose diária de poesia para prevenir carpoptose existencial, para evitar a rinostegnose da alma, para que a tiflose não se instale em nossa mente.

Poesia de manhã, ao acordar. Poesia na hora do almoço, seu moço! Poesia à noite... antes que seja tarde.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Terapia literária e suas fases

Caroline Shrodes é referência necessária para quem quer estudar biblioterapia. Um dos seus ensinamentos: a leitura terapêutica possui pelo menos três fases muito claras, a identificação, a catarse e o "estalo" (insight).

Uma leitura orientadora, equilibradora, vive esses estágios. (1) Identifico-me com o personagem, com a história, com as imagens; (2) participo, sofro, choro, alegro-me, sinto "por dentro"; (3) faço descobertas pessoais.

Os leitores mais jovens, para o bem ou para o mal (e mesmo os não muito jovens...), têm se identificado com Harry Potter (Joanne K. Rowling) e com Bella e Edward (Stephenie Meyer).

Li no ano passado o romance Meninas inseparáveis, de Lori Lansens (Editora Globo), e a uma certa altura chorei bastante ao viver "por dentro" a certeza da morte.

Os "estalos", as descobertas pessoais nascem da leitura criativa, quando um leitor se dá conta, por exemplo, de que certa metáfora é referência direta à sua própria vida. Nesta estrofe de um poema de Miguel Torga (1907-1995) descubro que em minha "mistura" (charco e luar) o baixo e o alto, meus erros e minhas virtudes se encontram e se necessitam:

Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura. ("Livro de horas")

domingo, 6 de dezembro de 2009

"A terapia literária consiste em
desarrumar a linguagem
a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos."

São versos de Manoel de Barros (1916-), em Livro sobre nada. Sobre nada, sobre coisas insignificantes aos olhos de alguns, ou aos olhos de muitos. Poesia como algo que vale pouco ou nada vale.

A poesia de Manoel de Barros, olhando melhor, é sobre tudo, é sobre um tudo que não sabemos avaliar. Um nada que faria bem a todos, se todos dela bebessem.

A leitura profilática vai nos ajudando a ver com mais profundidade o que sentimos e pensamos. Os "fundos desejos" são desejos que estão nos fundos, relegados. Fundos também, porque se encontram no fundamento. Que desejos mais fundos serão estes? A linguagem poética traz à tona esses desejos, desejos que estão lá no fundão, desejos fundidos nas funduras da nossa humana condição.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Direito à ambiguidade

Em algum dos seus textos, Roland Barthes (1915-1980) se refere ao "direito à ambiguidade", direito à variedade de interpretações, às múltiplas leituras. Entre dogmatismo e relativismo, tempo para pensar, rir, poetizar.
Céticos e fanáticos não admitem polifonia de sentidos. Soa-lhes imoral sair dos trilhos. Roland Barthes, olhando enviasado, está prestes a dizer que nunca me viu antes.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Leitura e ceticismo

Leituras que previnem os fanatismos podem ter um efeito colateral: o ceticismo generalizado. Evitemos o engajamento ingênuo, saibamos que chegar a uma verdade é possibilidade remota, vejamos os bastidores. Os bastidores revelam a podridão que as fachadas ocultam. Comentemos criticamente o que os outros pensaram, disseram, escreveram. Mantenhamo-nos longe de utopias...

Desconfiar é saudável... mas a descrença absoluta em valores e princípios pode gerar outro tipo de fanatismo. O antifanático fanático alimenta a ideia fixa de que nenhuma ideia, exceto esta, é plenamente confiável.

O ceticismo pode levar também à melancolia, a um "clima" emocional e intelectual em que as crenças se afundam todas, tenham ou não alguma razão de ser.

Outra decorrência. É quando o cético desiste de ler, pensar, criticar, discutir... atividades sem futuro, e vai se dedicar a alguma aventura prazerosa, radical ou delicada. (O que talvez lhe infunda novo gosto pela vida.)

A contrapartida são leituras que relativizem o relativismo. O livro Nem tudo é relativo, de Hilton Japiassu (Editora Letras & Letras, 2001) puxa o freio antes do abismo, e faz repensar algumas questões atualíssimas, mas clássicas, em torno da busca da verdade.
Seria este livro de Japiassu (existem outros semelhantes) para quem gosta do gênero ensaios. Para quem prefere poesia, eu recomendaria Thiago de Mello (1926-), em particular o de Os estatutos do homem, poema de 1964, que termina assim:

Artigo Final:

Fica proibido o uso da palavra liberdade
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
ou como a semente do trigo,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Leitura e fanatismo

Leitura profilática que nos proteja de fanatismos.

Virginia Woolf (1882-1941) dizia que ler é como abrir uma porta e ver uma horda de loucos atacando nosso corpo em vinte pontos ao mesmo tempo. Ler nos protege de superstições e outras manias mentais. Ler nos pergunta se, afinal, temos ou não convicções. Ler problematiza a vida, apresenta-nos paradoxos, põe à nossa frente contrastes e nuances, nos ensina a perceber ambiguidades e contradições.

Uma leitura que me proteja do fanático que está dentro de mim, pronto para fazer estragos. O fanático tem dificuldade para aceitar o que lhe soa diferente. Não sabe conviver com o contrário. E, simultaneamente, perdendo todo o senso crítico que parecia possuir, tende a cultuar alguma personalidade a seu ver mais bela e mais forte, a canonizar um pensador, um escritor, um artista, um líder religioso.

Eu sou fanático. Reconhecer que sou fanático é a única chance de eu não cair no mais insano dos fanatismos. Vejo em personagens enlouquecidos o fanático que existe em mim. O tresloucado que transita dentro de mim. O obsessivo que habita em mim. O demente que dorme em mim.

Dois livros de Lourenço Mutarelli (1964-) me ajudaram, em leitura recente, a reconhecer a minha insanidade e, constatando-a nas histórias, na ação dos personagens, descobrir que sou potencialmente louco... como qualquer ser humano normal!

O natimorto, e Miguel e os demônios. Ambos pela Companhia das Letras.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A pertinência de uma terapia literária

É pertinente falarmos em terapia literária?

Terapia vem do grego therapeía, e remete a "previsão", "solicitude", "remédio", "tratamento". São vários aspectos do cuidado consigo mesmo e com o outro. Inclui modos de alimentar-se, de comportar-se, medicação (se necessário) ou intervenções mais enérgicas, como a cirurgia.

No plano da leitura, uma terapia teria essas três dimensões:

1. A dimensão profilática — leitura para prevenir, leitura para adquirir um sistema de convicções, leitura como alimentação saudável, leitura para nos vacinar contra equívocos e desesperos, leitura como atividade equilibradora, leitura como orientação existencial, leitura como autoeducação, autodisciplina, autoconhecimento etc.

2. A dimensão medicativa — leitura para combater anemias existenciais, leitura como desinflamadora de incêndios emocionais, leitura para curar dores anímicas, leitura para curar dores de cabeça (ideias fora do lugar), leitura para combater azias crônicas, leitura na hora da febre, leitura para regular as pressões etc.

3. A dimensão cirúrgica — leitura para arrancar tumores da inteligência, leitura para salvar o coração fragilizado, leitura para transplantar órgãos vitais, leitura para recuperar a visão, etc.

Comecemos, amanhã, a falar de leitura profilática.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Para começar

"Um homem que lê deveria sentir-se intensamente vivo. O livro deveria ser um bola de luz em suas mãos." (Ezra Pound, em Guide to Kulchur. New York, New Directions, 1970, pág. 55)

Uma epígrafe para começarmos a pensar a terapia literária. O livro, fonte de luz. A luz só se faz quando o homem se sente intensamente vivo, lendo, aprendendo, compreendendo. Luz não é necessariamente paz. Há uma dor na lucidez. Luz pode mostrar coisas boas e coisas más. Mais: as coisas boas podem mostrar seu lado cruel, e as coisas más podem ser reinterpretadas uma e outra vez... talvez.


Obs.: Ezra Pound, poeta e crítico norte-americano, nasceu em 1885 e faleceu em 1972.